top of page

O dia em que percebi que havia me tornado a pior paciente do consultório.

  • Writer: clinicarochellemar
    clinicarochellemar
  • Apr 5
  • 2 min read

Eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Reconhecia os critérios, nomeava os sintomas, conhecia o tratamento. E não fiz nada. Por muito tempo, não fiz absolutamente nada.

Essa é a confissão mais difícil que uma médica psiquiatra especializada em burnout pode fazer. E é exatamente por isso que precisa ser feita.

O momento em que o conhecimento não foi suficiente

Eu atendia pacientes com burnout. Orientava sobre limites. Falava sobre a importância do sono, da alimentação, do suporte emocional. Prescrevia, encaminhava, acompanhava. E saía do consultório às 21h, comia qualquer coisa em pé, abria o laptop para responder e-mails e dormia tarde demais para acordar cedo demais no dia seguinte.

O conhecimento médico não protege da negação. Às vezes, ele se torna mais uma camada de defesa — porque você sabe demais para não perceber, e percebe demais para admitir.

O que mudou quando finalmente parei

Parar não foi uma decisão heroíca. Foi uma rendição. O corpo chegou a um ponto em que simplesmente não sustentou mais — e eu tive que ouvir o que havia ignorado por tempo demais.

E foi nesse processo — lento, não linear, às vezes doloroso — que a especialista em burnout se tornou a médica que sou hoje. Não apesar da minha própria experiência. Por causa dela.

Eu atendo burnout há anos. Mas foi quando eu mesma adoeci que entendi, de verdade, o que minhas pacientes enfrentam. E esse entendimento mudou tudo — na forma como trato, na forma como escuto e na forma como cuido.

Por Dra. Rochelle Marquetto — Médica psiquiatra com abordagem funcional integrativa, especialista no tratamento de burnout. Já acompanhou mais de 6 mil pacientes na jornada para uma saúde mental mais equilibrada e sustentável.

Comments


bottom of page