Burnout não é frescura de executiva — é uma crise de saúde pública ignorada.
- clinicarochellemar
- Apr 5
- 2 min read
Existe um preconceito silencioso em torno do burnout. O de que é uma condição de quem tem vida boa. De que quem reclama de esgotamento é quem pode se dar ao luxo de reclamar. Que burnout é problema de executiva estressada, não de trabalhadora que mal chega ao fim do mês.
Os dados dizem o oposto. E é hora de olhar para eles.
O que os números revelam — e o que o preconceito esconde
O Brasil é o segundo país com maior prevalência de burnout no mundo, segundo dados do International Stress Management Association. Mais de 30% dos trabalhadores brasileiros apresentam sintomas da síndrome — o equivalente a dezenas de milhões de pessoas. Entre profissionais de saúde, o número chega a 50% em algumas categorias após a pandemia.
Burnout não escolhe classe social, cargo ou salário. Ele acompanha sobrecarga crônica combinada com baixo controle sobre as próprias condições de trabalho e pouco reconhecimento — um conjunto que descreve não só escritórios corporativos, mas linhas de produção, cozinhas de restaurante, salas de aula de escola pública e plantões de hospital público.
O burnout de uma executiva aparece na imprensa de negócios. O da professora da rede pública aparece na taxa de absentismo. O da mãe solo não aparece em lugar nenhum — mas está lá.
Por que é urgente parar de tratar como fraqueza individual
Enquanto o burnout for visto como problema de quem não aguenta a pressão, as soluções propostas continuarão sendo individuais — meditação, gestão do tempo, resiliência. E essas soluções, além de insuficientes, colocam sobre o indivíduo a responsabilidade por um problema que tem origem estrutural.
Reconhecer o burnout como crise de saúde pública não é tirar a responsabilidade individual. É adicionar a responsabilidade coletiva — das empresas, das instituições, das políticas públicas — que até agora ficou convenientemente ausente da conversa.
Resiliência não pode ser eufemismo para exploração. E aguentar não pode continuar sendo tratado como virtude quando é, na verdade, um sinal de socorro.
Por Dra. Rochelle Marquetto — Médica psiquiatra com abordagem funcional integrativa, especialista no tratamento de burnout. Já acompanhou mais de 6 mil pacientes na jornada para uma saúde mental mais equilibrada e sustentável.



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