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Médicas não pedem ajuda. E essa é a parte mais perigosa do burnout.

  • Writer: clinicarochellemar
    clinicarochellemar
  • Apr 5
  • 2 min read

Ela sabe os critérios diagnósticos do burnout de cor. Reconhece os sintomas nos pacientes antes que eles terminem de descrever. Orienta sobre limites, sobre sono, sobre pedir ajuda. E depois da consulta, ela atende mais oito pacientes, almoça em dez minutos, leva trabalho para casa e dorme pensando no caso mais difícil do dia.

O paradoxo da médica que cuida de todos menos de si mesma não é ironia. É um sistema que produziu essa contradição — e que se beneficia dela.

O estigma que a formação não ensina a nomear

A cultura médica ainda carrega uma narrativa de que buscar apoio psicológico ou psiquiátrico é incompatível com o exercício da profissão. Que revelar vulnerabilidade é perder autoridade. Esse estigma começa na graduação, se consolida na residência e se mantém ao longo de toda a carreira.

A médica aprende a cuidar de todos. Aprende os diagnósticos, as condutas, os protocolos. Não aprende, em nenhuma fase da formação, que ela também tem direito de ser paciente.

O custo de não pedir ajuda

Médicas com burnout não tratado cometem mais erros clínicos, têm menos empatia com pacientes e abandonam a medicina precocemente. E em casos extremos — que precisam ser ditos — apresentam taxas elevadas de adoecimento mental grave que superam outros grupos profissionais.

Não pedir ajuda não é força. É o resultado de um sistema que fez da vulnerabilidade um risco profissional. E enquanto esse sistema não mudar estruturalmente, a única resposta disponível para a médica que está no limite é a mais corajosa que existe: decidir que a sua saúde também importa.

Você passou anos aprendendo a cuidar de pessoas que precisam de ajuda. Hoje essa pessoa é você. E pedir ajuda não é o fim da sua carreira — pode ser o começo de uma vida que vale a pena viver.

Por Dra. Rochelle Marquetto — Médica psiquiatra com abordagem funcional integrativa, especialista no tratamento de burnout. Já acompanhou mais de 6 mil pacientes na jornada para uma saúde mental mais equilibrada e sustentável.

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